Eu vejo todos os dias nas quadras: gente que achava que o tempo de esporte tinha passado, redescobrindo o prazer de se mexer.
O beach tennis não é só aquela “febre do momento” para jovens de óculos espelhado. Pelo contrário. Para a turma da terceira idade, ele tem sido uma verdadeira revolução silenciosa.
É impressionante como a areia, que muitos temiam, virou o melhor terreno para quem busca longevidade com qualidade.
O Beach Tennis como aliado do envelhecimento ativo
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- O Beach Tennis como aliado do envelhecimento ativo
- Benefícios Físicos: O corpo agradece
- Benefícios Mentais: Cérebro em movimento
- Cuidados Essenciais: Segurança em primeiro lugar
- Equipamentos: O que comprar para jogar com conforto?
- A Técnica a Favor da Longevidade
- Dicas de Ouro para quem está começando agora
- Perguntas Frequentes sobre Beach Tennis na Terceira Idade
- Conclusão

Esqueça aquela ideia de que esporte para idoso é só hidroginástica ou caminhada lenta. O beach tennis chegou quebrando paradigmas porque ele é adaptável. Você não precisa saltar como um atleta olímpico para jogar.
A dinâmica do jogo permite que cada um vá no seu ritmo, e isso é o que torna a modalidade tão acolhedora para quem já passou dos 60.
A mágica acontece porque ele une três pilares que a medicina vive recomendando: exercício aeróbico, fortalecimento muscular e, talvez o mais importante, convivência social.
Quando você entra na quadra, a idade vira apenas um número no documento. O que conta é a estratégia, o toque na bola e a risada depois do ponto perdido.
Benefícios Físicos: O corpo agradece
O impacto na saúde física é visível em poucas semanas de prática. E não estou falando de estética, estou falando de funcionalidade para a vida diária.
1. Proteção articular e fortalecimento
Muitos têm medo do impacto, mas a areia é, na verdade, uma grande aliada. Ela absorve o choque que, no asfalto ou na quadra dura, iria direto para os joelhos e coluna.
- Amortecimento natural: A aterrissagem na areia fofa reduz drasticamente o estresse nas articulações.
- Fortalecimento global: A instabilidade do terreno obriga o corpo a recrutar músculos estabilizadores o tempo todo. Sabe aquele medo de torcer o pé na calçada? O beach tennis fortalece exatamente a musculatura do tornozelo e panturrilha que previne essas quedas.
2. Melhora cardiovascular e controle de peso
O jogo é intervalado. Você dá um pique curto, para, respira, saca. Esse ritmo é excelente para o coração, melhorando a resistência sem levar à exaustão extrema de uma corrida contínua.
Além disso, o gasto calórico é alto, mexer-se na areia exige mais energia, o que ajuda no controle do peso e das taxas de colesterol e glicemia.
3. Coordenação e reflexos
Com o envelhecimento, é natural perder um pouco de agilidade. O beach tennis freia esse processo. Você precisa acompanhar a bolinha, decidir onde bater e se posicionar.
Esse estímulo constante mantém o sistema nervoso “ligado”, melhorando o tempo de reação não só para o jogo, mas para dirigir ou segurar um objeto que cai.
Benefícios Mentais: Cérebro em movimento
Não é só o corpo que suja de areia; a mente sai lavada. O impacto na saúde mental e cognitiva é um dos pontos mais elogiados por geriatras que acompanham praticantes.
Combate à solidão e depressão
A terceira idade pode ser solitária para muita gente. O beach tennis resolve isso de forma orgânica. É um esporte de duplas, impossível de jogar sozinho.
- Novos círculos sociais: As arenas viraram clubes de convivência. Você conhece gente de todas as idades e profissões.
- Sentimento de pertencimento: Fazer parte de um grupo, ter horário marcado para o “play”, cria uma rotina social que combate o isolamento e a depressão.
Estímulo cognitivo constante
O jogo é um xadrez rápido. “Onde o adversário está?”, “Vou dar um lob ou uma curta?”. Essas microdecisões tomadas em segundos são um exercício poderoso para o cérebro, ajudando na prevenção de declínio cognitivo e mantendo a mente afiada.
A necessidade de foco total no momento presente também atua como uma meditação ativa, reduzindo a ansiedade crônica.
Cuidados Essenciais: Segurança em primeiro lugar
Claro, nem tudo é festa. Para que a experiência seja positiva, a segurança tem que vir antes da raquetada.
Não dá para entrar em quadra achando que ainda tem 20 anos sem o preparo adequado.
Avaliação médica é inegociável
Antes de pisar na areia, o check-up cardiológico e ortopédico é obrigatório. O médico precisa liberar, especialmente se houver histórico de pressão alta ou problemas na coluna.
O perigo do sol e hidratação
A pele na terceira idade é mais sensível e a desidratação chega mais rápido e silenciosa.
- Horários: Evite jogar entre 10h e 16h. O sol da manhã ou fim de tarde é o ideal.
- Proteção: Boné, óculos com proteção UV (a areia reflete muita luz) e roupas com tecnologia de proteção solar são itens de segurança, não apenas estilo.
- Água: Beba antes de sentir sede. A regra é: a cada virada de lado ou intervalo, um gole de água.
Aquecimento e Preparo: O segredo para não travar
Se tem uma coisa que aprendi vendo a turma mais experiente na areia é: quem aquece, joga mais e se machuca menos. Na terceira idade, os tendões e músculos precisam de um “aviso prévio” antes de entrar em ação. Entrar frio na quadra é pedir para ter uma distensão.
- Mobilidade antes da potência: Nada de sair correndo. O ideal é começar girando os ombros, soltando o quadril e caminhando na areia para acostumar a propriocepção (o equilíbrio).
- A “falsa” segurança da areia: A areia amortece, mas ela também prende o pé. Se você não estiver aquecido, uma girada brusca pode incomodar o joelho. Cinco minutinhos de movimentos simples já mudam o jogo.
Escute seu corpo (ele fala alto)
A competitividade é engraçada, ela não envelhece. Vejo senhores de 70 anos querendo se jogar na bola como se tivessem 20. O espírito é ótimo, mas o corpo tem limites.
A dor “boa” é aquela do músculo trabalhado; a dor “ruim” é a pontada na articulação. Sentiu fisgada? Para. O beach tennis é para a vida toda, não vale a pena se lesionar por um ponto.
Equipamentos: O que comprar para jogar com conforto?
Aqui mora o maior erro dos iniciantes: comprar equipamento por beleza ou preço, sem olhar a especificação técnica. Para a terceira idade, o equipamento errado pode significar uma tendinite (a famosa epicondilite) em poucas semanas.
A raquete ideal para idosos
Esqueça as raquetes duras que os profissionais usam (Carbono 12K ou 18K). Elas vibram muito e exigem força.
- Material: Busque raquetes de Fibra de Vidro ou Carbono 3K com miolo (EVA) Soft. Elas são macias, “despem” a bola com facilidade e absorvem a vibração, protegendo o cotovelo e ombro.
- Peso: O ideal é ficar entre 310g e 330g. Mais leve que isso pode faltar estabilidade; mais pesado, vai cansar o braço rápido.
- Balanço: Prefira raquetes com o peso distribuído mais para o cabo (balanço baixo). Elas são mais fáceis de manusear.
Acessórios indispensáveis
- Sapatilhas de Neoprene: Eu considero item obrigatório. A areia pode ficar muito quente ou muito fria, o que machuca a pele mais fina. Além disso, elas dão uma firmeza extra no pisar, ajudando no equilíbrio.
- Óculos de Sol: A claridade na areia branca é agressiva. Proteger os olhos previne catarata e fadiga visual.
A Técnica a Favor da Longevidade
Você não precisa bater forte para ganhar. O beach tennis na terceira idade é um jogo de xadrez, de inteligência. A técnica correta economiza energia.
Em vez de usar só o braço (o que lesiona), aprenda a usar o quadril e as pernas para empurrar a bola.
Um bom professor vai focar nisso: como se posicionar para que a bola chegue em você, em vez de você correr desesperado atrás dela. A tal da “leitura de jogo” é o superpoder dos mais velhos contra a correria dos mais novos.
Dicas de Ouro para quem está começando agora
- Comece devagar: Não tente jogar todos os dias na primeira semana. O corpo precisa de tempo para entender o novo estímulo da areia. Duas vezes por semana é um ótimo início.
- Procure turmas da sua faixa etária: Jogar com pessoas do mesmo nível e idade torna a experiência mais justa e divertida. Muitas arenas já têm horários exclusivos para a “melhor idade”.
- Não tenha vergonha de errar: Todo mundo começou furando a bola. O ambiente do beach tennis costuma ser muito receptivo a erros. Ria de si mesmo e tente de novo.
Perguntas Frequentes sobre Beach Tennis na Terceira Idade
Quem tem problema no joelho pode jogar?
Depende do grau da lesão e da recomendação médica. Porém, muitos ortopedistas preferem indicar o beach tennis em vez de tênis de quadra rápida ou corrida, justamente porque a areia tira o impacto seco da pisada.
É preciso já ter jogado tênis antes?
Absolutamente não. A maioria dos praticantes nunca pegou numa raquete antes. A técnica é diferente e mais simples de aprender o básico.
O beach tennis ajuda na osteoporose?
Sim. O exercício de impacto controlado e a exposição ao sol (vitamina D) são excelentes aliados no fortalecimento ósseo.
Qual a melhor roupa para praticar?
Roupas leves, de tecidos sintéticos (poliamida) que não retêm suor. Evite algodão, que fica pesado quando molhado. Chapéu ou viseira são essenciais.
Conclusão
Enfim, o que vejo nas arenas é uma transformação de vida. Pessoas que estavam paradas em casa agora têm compromisso, têm grupo de WhatsApp, têm torneio no fim de semana.
O beach tennis devolve aquela sensação de “eu sou capaz”, de vibrar com uma conquista. Se você está na dúvida, vá assistir a uma aula. Sente na cadeira de praia, peça uma água de coco e observe.
Tenho certeza que, em dez minutos, seu pé vai estar coçando para entrar na areia também.










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